quinta-feira, 16 de julho de 2009

Poesia: Caio Fernando Abreu

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse.

Talvez um viajasse, talvez outro fugisse.

Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos,

dominicais, cristais e contas por sedex

(...)

talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não.

Talvez algum partisse, outro ficasse.

Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego.

Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos,

talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro,

ou viajassem junto para Paris

(...)

talvez um se matasse, o outro negativasse.

Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida,

quem sabe.

Talvez tudo, talvez nada...

talvez....


Caio Fernando Abreu

2 comentários:

  1. talvez a vida saiba o que faz...talvez a gente estrague tudo..talvez não seja preciso entender...talvez





    gabizinha

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  2. jefferson luquini3 de maio de 2010 22:23

    Talvez a vida seja mesmo isto,uma fuga, talvez precisamos não pensar nela, para não enlouquecermos, talvez eu precise de alguém ao meu lado para me ensinar a viver, talvez a vida seja mesmo isto, uma mera repetição...
    Talvez não seja preciso entende-la...

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